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3.º CONCURSO DE RESENHAS

NEUSA MARQUES PALIS
NEUSA MARQUES PALIS

       A ALAMI – Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba – promoveu, em 2009, o 3.º Concurso de Resenhas. O objeto resenhado foi “Por muitos séculos, amém!” (disponível neste site), conto da escritora e acadêmica da ALAMI Neusa Marques Palis. Leia abaixo a Resenha ganhadora, bem como um breve currículo da escritora que a escreveu.

 

CONTANDO O FECHAMENTO DE UM CIRCUITO
Nelsi Urnau
 

       O conto “Por muitos séculos. Amém!”, de autoria de Neusa Marques Palis, objeto do terceiro Concurso de resenhas da ALAMI foi laureado com o prêmio “João Corrêa de Almeida” no 3.º Concurso de Contos do Tijuco (2008), promovido pela mesma Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba.
       “Por muitos séculos. Amém!” narra uma reunião de família que ocorre numa fazenda para onde acorrem filhos e cônjuges com suas proles, convocados intempestivamente pela matriarca que, no entanto, não deu a conhecer os motivos dessa extraordinariedade. Conforme os mesmos vão se encontrando e falando, as razões vão sendo conhecidas de modo indireto através das referências a outros fatos que são sinalizados pelos interlocutores. Valzinho, o narrador, é um dos participantes da história que relata o episódio a partir de suas impressões.
       Sob a epígrafe de Sartre — “Metade vítimas, metade cúmplices, como todo mundo” — a autora descortina o desenrolar de um episódio familiar na voz de um menino de doze anos, um dos personagens da história. Narrado em primeira pessoa, Palis empresta ao enredo um aspecto de verossimilhança coerente e próprio dos grandes mestres das artes literárias. Isto, porque, apesar de parecer, a primeira vista, um relato autobiográfico, reveste-se de um ar de onisciência poética sobre os perfis e estados de espírito dos demais personagens envolvidos na trama.
       Num estilo direto e de linguagem simples sem ser chula, a narrativa se assemelha a um relato nervoso prestado a um delegado por uma vítima de crime, um sem par de acontecimentos concentrados em curto espaço de tempo e lugar, todavia abarcando diversos espaços e tempos através das falas dos protagonistas. Deste modo, a cada personagem que se expressa, a autora remete a outros episódios ocorridos em outras épocas e lugares sem, no entanto, ser necessário incluí-los no enredo. Ela os sugere de um modo peculiar através das referências que os personagens fazem no intercalar de diálogos, opiniões e conversas interrompidas.
       Magistralmente Palis vai conduzindo o leitor no desenrolar do conflito evidente, provocando tensão através de um viés literário que liga todos os personagens entre si. Destacando sobre todos a figura de uma somente — Matilde — sobre esta cria a expectativa de desvendar o mistério. Conforme vão se encadeando as participações dos diversos envolvidos na trama, vai-se formulando uma idéia do que possa ser o ponto alto do enredo que, entretanto não é mencionado. E quando o mesmo parece na eminência de desencadear-se, abre-se uma infinidade de possibilidades de desfecho que a autora deixa em aberto, encerrando sua participação e deixando a imaginação do leitor navegar pelas diversas hipóteses a criar e escolher o final que lhe aprouver.
       Porém, retomando o título numa percepção mais profunda, o final que Palis sugere encontra-se no mesmo: e tudo voltou a ser como antes, e assim continuou “por muitos séculos. Amém!”, como se nada tivesse acontecido. Era o fechamento de um circuito numa espiral que se repete e se recria infinitamente.
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Nelsi Inês Urnau nasceu em Boa Vista do Buricá, RS. Cursou Magistério em Sant’Ana do Livramento e desde 1990 atua na docência de Séries Iniciais do Ensino Fundamental da rede pública municipal de Canoas/RS. Na escola, criou o símbolo que figura na bandeira e nos uniformes da mesma, além dos extintos jornaizinhos “do Estudante” e “Eco” onde registrou a história da Escola e da Criação de seus símbolos. Criou e encenou com alunos cinco peças de teatro infanto-juvenil e formou times de futsal Mirim feminino e masculino ganhando o troféu dos Jogos da Primavera no bairro. Participou da organização de ações ecológicas desenvolvidas na escola e representou a mesma com equipes de alunos em torneios municipais de xadrez e futebol. Publicou os livros: “Loucos não insanos” (romance, 2006), “Zé Toquin”(infantil, 2007), “Cecília e amigos”(infantil, 2008) e “In quietude” (infantil, 2009).
 

Ituiutaba, Outubro de 2009.

Comissão de Concursos