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Senador Camilo Chaves

PATRONO DA ALAMI

 

        Camilo Rodrigues Chaves nasceu em Campo Belo do prata, hoje Campina Verde, em 28 de julho de 1884, no Triângulo Mineiro, Estado de Minas Gerais. Filho de João Evangelista Rodrigues Chaves e D. Maria Matilde do Amaral Chaves, aos 7 anos frequentou a escola pública dirigida pelo mestre-escola Evaristo José de Moura.

            Em 5 de junho de 1894, iniciou seu preparo para o sacerdócio em Roma, no Colégio Pio Latino Americano. Chegou a Roma, internando-se no referido colégio. No mês seguinte, julho, dia 28, Camilo havia de completar 10 anos de idade. Entrou no curso de latim, conquistou.

            Importantes títulos como de Imperator Romanarum e o clássico De Sermone Latino.

            Voltou ao Brasil aos 18 anos. Foi boiadeiro, fazendeiro e comerciante. Fundou em São Pedro de Uberabinha, hoje Uberlândia, a empresa “Sereno & Chaves”, dedicando-se ao comércio por 10 anos. Casou-se com D. Damartina Teixeira Chaves, em 2 de maio de 1909, naquela cidade.

            Em Ituiutaba nasceram os dois filhos mais velhos de Camilo Chaves: Hélio Chaves, em 6 de maio de 1912. Fábio Teixeira Rodrigues Chaves nasceu em Uberlândia, em 16 de setembro de 1915.

Em 1917, dedicou-se à advocacia, em Ituiutaba.

         Por vezes, vereador à Câmara Municipal, militou ativamente na política.

         Em 1923, foi eleito deputado estadual, pelo 5.º Distrito eleitoral, compreendendo todo o Triângulo Mineiro.

          Foi autor da ideia de se fundar em Minas Gerais, durante o governo Antônio Carlos, a primeira escola de aviação do Brasil que, transformada em lei, nunca foi executada.

           Com seu memorável discurso, que correu o País, denominado “Viação no Triângulo”, conseguiu despertar o interesse do mundo capitalista dos meios ferroviários, no sentido de dotar o Triângulo de uma ferrovia que, partindo de Uberabinha, margeasse o rio das Velhas e, penetrando o vale do Paranaíba, fosse até o Porto Feliz, com um ramal de Cachoeira Dourada a Ituiutaba, até Colômbia, Estado de São Paulo e linha terminal da Estrada de Ferro Paulista. Por seu intermédio, foi organizada a Companhia, levantado o capital em Londres e iniciados os estudos preliminares. Mas, com a revolução de 1930, não se concretizou a realização, dado o descrédito por que atravessou o país, caducando-se assim o privilégio.

            Em 1925, conseguiu elevar Ituiutaba a comarca e Tupaciguara a termo judiciário.

            Em Uberlândia, criou e instalou o Ginásio Estadual, a Estação Experimental de Sementes e a Estação de Rádio.

            Conseguiu a criação e construção do “Grupo Escolar João Pinheiro”, do edifício do Fórum, da ponte “Raul Soares”, sobre o Tio Tijuco, em Ituiutaba.

            Em 1927, foi eleito senador ao Congresso Mineiro, onde defendeu, com brilho, a lei reformando a concessão de privilégios ferroviários.

            Em 1930, comandante em chefe das forças revolucionárias do Triângulo Mineiro, montou o seu quartel-general em Uberlândia.

            No ostracismo político, recorreu ao magistério para manter-se, lecionando na Escola de Comércio de Uberlândia e no Colégio Nossa Senhora das Lágrimas.

            O Governador Benedito Valadares Ribeiro, em 1936, nomeou-o diretor da Loteria de Minas Gerais, onde se manteve até o seu falecimento.

            Em 1937, passou a dedicar-se, exclusivamente, ao estudo e cultivo das letras. Escreveu o livro Caiapônia — romance da terra e do homem do Brasil Central, já em 3.ª edição (Egil, 1998), que é um repositório de seus conhecimentos, auferidos no exercício de suas profissões de fazendeiro, professor, comerciantes, jornalista, advogado, político e parlamentar.

            Sobre este livro, Lopes Rodrigues escreveu: “Caipônia é o maior livro contemporâneo, no seu gênero. Como expressão da literatura geopsicológica é um dos maiores da literatura nacional. Caiapônia é o romance do sertão indígena do Triângulo Mineiro; o vagido étnico, o povoamento, o costume, o folclore, a alma trovadora e trágica, o processo evolutivo. É a paisagem primitiva, bruta e brava. A gente virginal, a fé, a superstição, o mito, a honra, o crime, o amor e o heroísmo.”

           Vinte dias após o falecimento de Camilo Chaves, saiu a lume Semíramis — a rainha da Assíria e Babilônia, editado pela companhia Editora Piratininga de São Paulo, cuja edição já se acha esgotada, tal a aceitação que obteve nos meios intelectuais e literários do Brasil.

           Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, proferiu memorável conferência, sugerindo a transferência da Capital da República para o Pontal do Triângulo Mineiro. Dada a repercussão, logrou ver a sua conferência transcrita nos anais do Congresso Nacional, por solicitação do Deputado campos Vergal, da bancada de São Paulo.

            Camilo Chaves faleceu aos 70 anos de idade, na Capital deste Estado, no dia 3 de fevereiro de 1955, às 11 horas da noite, no Hotel Sul Americano, onde residiu por mais de dez anos.

            Membro da numerosa família Chaves, do Oeste de Minas, Triângulo e Goiás, era sobrinho-trineto do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, proto-mártir da Independência.

            Pela morte do Senador Camilo Chaves foi levantada a sessão da Assembleia Legislativa do Estado, em sinal de pesar e luto, ocasião em que o Dr. Omar de Oliveira Diniz, deputado Estadual pela região, que o extinto tanto amou, pronunciou belo e comovente discurso, enaltecendo-lhe os feitos e as conquistas.

            Todos os representantes dos partidos políticos, componentes daquela câmara, ocuparam a tribuna, prestando sinceras homenagens à figura do bravo, culto e operoso mineiro.

            O falecimento do senador Camilo Chaves causou profunda e geral consternação em Ituiutaba e, pelo decreto n.º 101, de 4 de fevereiro de 1955, o prefeito Antônio Sousa Martins determinou luto oficial, em sinal de pesar.

            As câmaras municipais de Capinópolis, Santa Vitória, Campina Verde, Iturama, Uberlândia, Tupaciguara e Frutal consignaram, em ata, votos de pesar pelo seu falecimento.

            O sepultamento se deu no dia 4 de fevereiro de 1955, às 17 horas, no cemitério do Bonfim, na quadra 28, sepultura 60-A, em Belo Horizonte.

            O então Governador Juscelino Kubitschek de Oliveira criou o terceiro Grupo Escolar de Ituiutaba e o seu sucessor, Governador Clóvis Salgado, o denominou Grupo Escolar “Senador Camilo Chaves”.

 

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Fonte: Revista Projeção, N.º 1 “Edição Especial – 100 Anos de História – Impressa em setembro de 2001, pela Egil — A sua editora em Ituiutaba  (34) 3261-3800